Fulano e Beltrano trabalhando a Colorimetria Capilar

Duas clientes chegam ao salão. (Apenas uma reflexão, mas baseado em fatos reais)

Uma vai ser atendida por um profissional chamado Beltrano, e outra por um chamado Fulano (melhor assim, vai que… né).

Ambas têm a mesma cor natural, e o mesmo tipo de cabelo, pois são gêmeas (mera coincidência rs). Ambas querem a mesma cor (não é coincidência porque elas fazem isso desde criança).

Beltrano e Fulano conversam com as clientes que apontam uma cor na cartela que, na verdade é bem comum. Então, os profissionais dirigem-se ao estoque de cada um e preparam o produto para aplicação.

Beltrano tem um estoque com várias cores e de variadas marcas. Digamos que sejam 100 tubos.
Algumas destas tinturas têm até o mesmo número, mas como Beltrano já as experimentou, e fez anotações sobre seu resultado, afinal ele testa tudo o que vai entrar no seu estoque, ele escolhe um tudo com a cor exata que a cliente deseja. Ele sabe que às vezes precisa ajustar uma coisa ou outra, mas como sempre que faz isso faz anotações, seu estoque sempre tem produtos para a maioria das situações. pegou o tubo, pesou com oxidante da volumagem correta que sempre tem no estoque (já que cada volumagem têm suas formulações especificas e não podem ser misturadas fora dos padrões) e foi passar.

Beltrano teve que;
-escolher entre as cores que tinha à sua disposição,
-escolher o oxidante pronto e mesclá-lo à tintura que pôs inteira na cumbuca facilitando a pesagem,
-levar a mistura e já aplicar na cliente,
-aguardar a pausa correta e enxaguar para finalizar.

Fulano tem apenas X cores (podem ser três, dez, cinco, não importa agora), e os mesmos 100 tubos no total. Mas, Fulano tem que fazer contas, e aproveitar os tubos abertos antes. Digamos que ele precise de três cores para fazer o produto que vai aplicar.
Ele procura as cores, vê se em cada tubo tem material suficiente e se não tiver vai abrir mais um tubo, e fará isso com as três. Vai pesar, afinal a pesagem tem que ser precisa, e fará isto pelo menos três vezes (isso se não teve que abrir nenhum tubo a mais). agora que tem os três produtos diferentes na cumbuca, vai calcular a quantidade de oxidante, e a volumagem que vai ter que “fazer”.
Como ele tem só oxidante de 40 volumes, e dilui com água para “ajustar a fórmula” (e digamos que use água desmineralizada e deionizada para isso, e também ignorando que oxidante não é só água e peróxido de hidrogênio, e que a legislação proíbe a alteração de produtos).

Agora Fulano tem;
-três cores que precisaram ser calculadas antes de pegar os tubos,
-talvez tenha tido que abrir mais um ou mais tubos, que diga-se de passagem não têm mais o lacre para evitar oxidação,
-tem que pesá-los individualmente, com cuidado, e isso demora mais do que por o conteúdo da bisnaga inteiro nela (e vamos supor que não errou nada e teve que fazer alguma conta a mais para ajustar),
-precisa calcular e pesar a quantidade de água e oxidante que deve “fabricar” para realizar o serviço
-mesclar tudo isso,
-se adaptar a viscosidade alterada do produto, já que possivelmente diluiu na água os produtos, deixando-os mais mole a mistura em relação ao que o produto normalmente ficaria,
-e após tudo isso, foi aplicar o produto na cliente.

Supondo que é natural imaginar que possa haver alguma diferença de resultados, mas que, para termos de comparação, devamos dizer que os resultados da cor foram “iguais”; qual profissional:
-realizou o procedimento com menos complicações?
-qual estava com o estoque mais assertivo?
-qual deles não deixou nenhum tudo de tintura passível de oxidar sem o lacre?
-qual passou menos tempo no estoque tendo que calcular varias possibilidades?
-qual não obteve uma mistura fora da viscosidade correta?
-qual arrisca mais ao misturar várias coisas, ao invés de já ter o produto certo?
-em qual dos dois casos a tintura já estava sendo aplicada enquanto o outro profissional ainda estava terminando a mescla?
– dos dois parece mais eficiente?

Poderíamos fazer mais perguntas, mas acho que fica claro que quando economizamos tempo, produtos, e realizamos trabalhos mais certeiros, ganhamos tempo, evitamos gastar produtos demais com alguns podendo vencer no estoque pois estavam “abertos”, atendemos mais clientes num dia, e algumas outras vantagens.

Você pode sim escolher fazer do outro jeito, mas quero incentivar a fazer o mais simples, mais econômico, e mais assertivo.

Lembre-se: se você usa cem tubos de cores diferentes por mês, e se usar cem tubos de três cores diferentes no mês, terá usado a mesma quantia de tudo da mesma maneira! Então, talvez economizar não seja exatamente usar menos cores, e sim usar melhor seus recursos, e um método mais eficiente de colorir cabelos.

Quer saber mais?

Em breve faremos uma análise do motivo, pelo menos alguns, pelo qual a “matemática” da colorimetria, pode ser a causa de muitos problemas para quem quer aprender colorimetria de verdade, e como evitar estes erros. Caso deseje aprender já como fazer seu trabalho sem ter este trabalhão que o Fulano tem todas as vezes, que tal conhecer o Livro de Colorimetria que ensina como trabalhar qualquer cor em qualquer cabelo? Clique aqui e saiba mais.

Fique de olho!

Rogério Belo

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