Colorimetria Capilar – Tintura de Perfumaria vs “Profissional”, são sempre diferentes

tintura de perfumaria vs profissional

A tintura de perfumaria é realmente inferior?

Esta pergunta é uma das recorrentes perguntas que recebo. Portanto, desejo aqui responder a este assunto que pode ser libertador, e ao mesmo tempo revelador, devido a ser um tema de muita importância para o seu desempenho. Então, vou compartilhar minha experiência para você. Todos os dias surgem marcas novas e ter a oportunidade de utilizar novas opções eficazes e de custo beneficio maior é uma vantagem imensa.

Só para que tenha uma ideia, na minha última visita ao maior fabricante nacional de cartelas de mechas, ele me disse que atende cerca de 250 marcas diferentes de coloração. Ou seja, há possibilidades enormes de algumas se encaixarem melhor nas suas necessidades. E você pode estar já se perguntando; como assim? Te explico.

Para que se sinta mais seguro com o que vou dizer, quero explicar que, tendo trabalhado na maior fabricante de coloração de tintura capilar da América Latina, participei não apenas de uma ou duas criações de marcas, mas de muitas. Para entender bem, lá tínhamos mais de cem marcas sendo fabricadas. E a maioria era posicionada apenas no profissional, mas havia as que se posicionavam apenas em vendas para varejo, e algumas para ambos. A decisão de em qual atuar se dava por critérios como:

  • Estratégia comercial
  • Distribuição como forma de entregar com exclusividade a salões, ou não
  • Especialidade de venda

Poucos sabem é que, apenas 7,6% das pessoas fazem coloração no salão de beleza com tintura do próprio salão. A maioria das pessoas compra sua própria tintura sendo que destes, dois terços aplica em casa e um terço leva ao salão a tintura que comprou. Ou seja, comercializar tintura no varejo vende para muito mais usuários do que para salões! Sendo assim, a escolha entre vender no varejo não é apenas por causa de ter um produto inferior, mas inclui a venda maior. Este fator pode ser o estratégico.

Isto nos leva a outro aspecto: capacidade de distribuição. E caso pense “se vender em varejo dá mais lucro, porquê todos não fazem isso?”, devemos entender que nem todos conseguiriam fazê-lo.

 Acontece que para vender em perfumaria há várias complicações. Uma delas é a sua capacidade de entrega, outra a capacidade de alocar uma demonstradora de marca em cada perfumaria que exigir, e ainda outra é o tamanho do investimento para fornecer produtos para a perfumaria. O que nos trás ao terceiro ponto de análise desta lista, que é a especialidade de vendas da marca. Equipes de venda podem ou não ser especialistas em vender em salões ou lojas. Desta forma, a escolha pelo nodo de distribuição acompanha esta forma de trabalho.

Entretanto, resta-nos saber agora quais são estes critérios, e como saber se o produto serve ou não para nós.

As perguntas e respostas para descobrimos isto são basicamente:

Há real diferença entre os produtos vendidos em salão e perfumaria?

Mais ou menos, e depende de cada caso! A verdade é que há como já falamos empresas que querem ir diretamente para o enorme mercado de consumidores finais, e que por isso vão buscar produtos de uso e desempenho diferente. Só para ter uma ideia, entenda que há muitas empresas que fabricam seus próprios produtos e ouras que terceirizam a fabricação. Trabalhei na terceirização de tinturas capilares, e por isso sei dizer que, em relação a diferenças entre estes produtos de varejo em relação aos profissionais geralmente há:

  • Viscosidade menor para facilitar a espalhabilidade escorrendo mais do que um produto profissional, além de facilidade de misturar oxidante com a tintura diretamente no aplicador.
  • Perfume mais popular, e muitas vezes mais intenso, pois o olfato é um dos mais importantes atrativos para as consumidoras.
  • Gama de cores menor, já que produtos de uso mais técnico são difíceis de vender.
  • Cores mais suaves, já que refazer trabalhos de cores muito intensas pode ser complicado e exigir descoloração. Por este motivo, entendemos que a cobertura de brancos também é mais suave, mas isso não significa de forma alguma que são corantes baratos, fracos, sem tecnologia ou ineficientes. São exatamente os mesmos, mas a formulação trás desempenhos diferentes. (Num próximo artigo explico melhor).
  • Ativos de tratamento mais “populares”, ou seja: que estão mais na moda e atraem mais o consumidor final.

A eficácia de cobertura é a mesma?

Como vimos à cima, há produtos que tem cobertura menor, e geralmente são os que não têm apresentação profissional. Como distinguir esta apresentação é simples. Basta ver que se está em kit é para consumidor, e se está em cartucho individual apenas com a bisnaga, a apresentação é para profissionais.

Fatores de cor como intensidade, brilho e durabilidade mudam?

Sim, mudam da mesma forma que os profissionais podem mudar de marca para marca. Mas, é muito provável que os kits tenham diferenças maiores. 

Os ativos hidratantes são melhores ou piores?

Talvez já até saibas que, o tipo de ativo adicionado a produtos impacta muito no preço de produção. Portanto, é de se imaginar que alguns, sendo muito mais caros que outros, podem acabar fazendo estes produtos ficarem com preços que não são atrativos. Isto significa que os ativos são ruins? Não! Por enquanto basta dizer que ter um ativo mais caro não significa ser melhor, assim como o contrário não significa ser um produto ruim. Porém, desconfie de propagandas milagrosas. Exageros devem sempre te alertar para algo possivelmente preocupante.

Como saber se um produto de perfumaria vai atender às minhas necessidades profissionais?

Bem, além dos mais aparentes indícios de que o produto não vai atender as nossas necessidades como; preço muito barato e estar sendo oferecido em kit (que por si só já pode ser descartado, pois o oxidante nem sempre é o que precisamos), há poucos sinais visíveis de que um produto de perfumaria é inferior ao vendido no salão.

Sendo assim, como profissionais de excelência, a regra seguida para a escolha do produto é a mesma: testes! Nenhum produto deve fazer parte do seu estoque sem que seja testado e aprovado por nós. Não é por que uma marca é mais cara, famosa, exclusiva, cheia de ativos milagrosos, que ela vai atender à cor final e durabilidade que quer entregar a seu cliente.

Resumindo

Meu objetivo é, em primeiro lugar, informar que é uma inverdade que produtos de perfumaria são sempre inferiores, e de profissionais superiores. Em segundo lugar, te fazer saber que há algo mais no mundo industrial que nos atende, e que podem estar nos induzindo a ficarmos limitados. Terceiro te deixar a par de possibilidades de aumentar seus lucros com produtos que, por serrem mais vendidos, ou que tenham uma cadeia de distribuição mais eficiente, podem custar menos no seu bolso. Tendo estes cuidados com produtos de varejo, também os tenha com produtos de distribuidores diretos a salões.  Afinal, o que quer é desempenho independente da fonte.

Portanto, produtos não devem ser julgados pela distribuição, e sim pelo desempenho. Seja você, e não os outros, a decidir o que é melhor para sua cliente.

Quer receber mais informações, envie um e-mail pedindo novas matérias. contato@rogeriobelo.com

Este tema também está no Manual do Colorista capilar vol. 2. Conheça clicando aqui

Nomenclatura na Colorimetria Capilar – Numeração

Numeração e Nomenclatura de tinturas- Rogério Belo

A numeração das tinturas/colorações, ainda te confunde?

Um dos temas que mais confundem profissionais, sejam eles os mais iniciantes a até alguns dos mais experientes em colorimetria capilar, é a nomenclatura de algumas marcas. Como profissional especialista em coloração e colorimetria, não apenas por ter passado cerca de dezesseis mil horas em uma das maiores fábricas de coloração do mundo, que produz centenas de marcas, sei que há alguns detalhes que podem servir de alerta à você que tem dúvidas neste tema.

Além disso, como cabeleireiro já há quase 25 anos, e autor de 2 livros de colorimetria capilar, vivi as mesmas dúvidas na minha experiência profissional, até que a vivência me ensinou mais sobre este e os demais temas da colorimetria capilar. Mas, devo contextualizar um pouco o processo para poder explicar melhor sobre nomenclaturas.

Como nascem algumas marcas de tinturas

Primeiramente precisamos entender como funciona, mesmo que de forma simplificada a criação de uma marca. Talvez você não saiba, mas grande parte das marcas de produtos não tem fabricação própria. Por este motivo, as marcas que não fabricam seus próprios produtos recorrem a empresas terceiristas, que possuem a expertise para isso.

Lá elas geralmente são apresentadas a várias opções, e elas não apenas podem sim criar suas próprias versões de produtos dentro de certos padrões, como podem aderir a uma formulação padrão. Sabendo disto, já somos capazes de compreender que há empresas com cores diferentes com a mesma nomenclatura, ou seja, que foram personalizadas segundo os desejos da marca.

A vantagem deste modo de trabalhar é que, tendo uma equipe de profissionais exigentes e que estão dispostos a melhorar o produto, e as cores resultantes, somos apresentados a novas opções melhores, ou ao menos diferentes. Por outro, lado cria um problema para seguirmos uma metodologia de combinação de tinturas.

As marcas que não optam por fazerem suas próprias cores, já que é um processo lento e caro, podem decidir por vários outros caminhos. O mais comum é a escolha de cores já prontas. Dentre as opções, muitas vezes há várias opções de uma cor só. Umas mais quentes, outras mais fechadas, outras com maior ou menor cobertura, e por aí vai.

A escolha geralmente é feita baseada nas cores melhores ranqueadas nas vendas, escolhendo, por exemplo, as 40 ou 50 mais bem vendidas na região em que a marca vai concentrar sua atuação. E mesmo que seja escolhida comparando a venda nacional, sua escolha é baseada pelo que vende bem. E vivi esta experiência inúmeras vezes nos anos em que trabalhei nesta indústria.

Porém, esta prática cria alguns problemas! O primeiro é o que lidaremos neste texto, e futuramente trarei novos conteúdos para você.

Na hora de nomear e numerar as colorações

O problema que surge é que, tendo estas marcas pouco critério em relação à escolha do produto, eles também costumam ter pouco com as numerações. O fato de escolherem produtos padronizados, muitas vezes por não serem especialistas no tema, os faz também escolherem as numerações baseadas no ranking das que mais vendem.

Por exemplo, até minha última verificação do ranking das cores mais vendidas, o 12.89 vendia mais que o 12.21. O caso é que estas cores eram exatamente a mesma fórmula, postas em marcas que tinham predileção por numerações diferentes. Algumas escolhiam por 12.21 porque na sua cartela o 2 é irizado e o 1 é cinza, facilitando a compreensão do que é a cor. Porém há marcas que usam o número 12.89, pois a numeração é mais conhecida, como a Wella, que a lançou e popularizou este número.

Assim, há marcas que procuram uma coerência entre suas numerações, e fazem com que todas as suas cores sejam entendidas num único padrão que escolheram, e há marcas que buscam que suas cores sejam mais facilmente identificáveis com cores “mais conhecidas” de outras marcas que são referências no mercado. E nenhuma está necessariamente certa ou errada. É tudo uma questão de estratégia comercial entre outras coisas.

Nem toda marca padroniza sua nomenclatura

Há ainda outros casos que causam estranheza. Por exemplo, há marcas que possuem na sua cartela o 6.66, que na L’oreal é vermelho intenso. Outras usam o número 6.60 para a mesma cor vermelho intenso, e usam o numero repetido para reflexos profundos.

A diferença entre profundo e intenso são as intensidades onde uma é mais luminosa/intensa, e a outra é mais fechada/profunda. Para complicar ainda mais, ainda existem marcas que, dentro da mesma cartela usam o 6.66 para vermelho intenso, ao passo que usam 4.77 para marrom profundo. Estranho não é mesmo?

Necessidade de atenção às nomenclaturas

Esta questão, que poderíamos dar ainda mais exemplos, pois trabalhando em salões diversos, distribuidoras e marcas, além da já comentada empresa fabricante, pode tirar o sono de alguns e induzir outros ao erro.

Pense em como seria comprar o nosso 6.66, acreditando ser intenso, e ao terminar o tempo de pausa descobrirmos que se tratava de um vermelho fechado. Imagine se fosse apenas um retoque de raiz em que, a cliente teria uma cor no comprimento e outra diferente do que acabou de fazer. Certamente, sou capaz de imaginar você ouvindo a reclamação da cliente, e ligando para o distribuidor reclamando do produto.

Mas calma, porque, embora possa listar uma série de cores que podem ser mal interpretadas por causa das numerações, quero te ajudar dando quatro dicas principais que vão solucionar estes e outros problemas, além de te ajudar a se especializar ainda mais em colorimetria capilar. E a dica é muito simples, beirando ao óbvio. Mas, o sucesso é uma sequência de atitudes óbvias tomadas com inteligência!

4 dicas de como evitar se confundir com nomenclaturas e cores

A primeira é: Não leia apenas a numeração! A maioria das marcas etiqueta suas tinturas com o numero e o nome da cor, e embora alguns erros possam acontecer, esta nomenclatura é mais segura do que olhar apenas a numeração.

Segundo: Examine a cartela! Um jeito simples de saber a cor que está no tubo antes de buscar o produto no estoque é olhar a cartela não apenas para a mechinha. A mecha posta ali pode ser um artifício de marketing, e ter cores chamativas baseadas em um resultado possível. Mas, pode ser que você deixe passar batido algum detalhe da descrição dela, ou de como a marca segue ou não um padrão de numeração.

Terceiro: Entenda definitivamente que, não existe numeração universal, e que não é culpa da marca, ao menos não integralmente pela nossa falta de atenção a estes detalhes. Se você for à um treinamento da marca, não deixe de questionar os técnicos dela para entender o posicionamento sobre o tema. Aproveite para tirar dúvidas adjacentes sobre como identificar as numerações desta marca comparativamente com a que já está acostumado. Isso pode facilitar muito sua decisão pela troca de uma marca por outra, caso seja o que estiver buscando.

Por último, a mais importante: É você se responsabilizar pela escolha do produto, conhecendo-o antes de aplicá-lo! Alguém pode dizer: “Mas Belo, não é seguro olhar para a numeração e a nomenclatura para saber qual o produto que estou comprando?”. Em parte sim! Mas, além das numerações e nomenclaturas, há diferenças entre cores com os mesmos nomes e numerações de uma marca para outra. Lembra-se de que disse à você que uma marca pode pedir para personalizar seu produto? Então, é possível que a pessoa que pediu ajustes tenha um modo diferente de entender o quanto uma tintura deve cobrir brancos, ser quente ou fria, ser opaca ou brilhante. Logo, confiar apenas nas descrições pode ser o motivo de que muitos reclamam que não obtém resultados iguais ao trocar de marca. Pois de fato não obterão sempre. Cada marca tem o direito de personalizar seus produtos, com base nos seus próprios critérios.

Faça testes ao invés de confiar em métodos falhos de cálculos

Por isso, sempre faça testes comparativos. E antes que ache que isto é difícil, minha dica para simplificar isto é que pegue um pouco de cada, respeitando suas medidas de uso, e aplique cada mistura em uma mecha de cabelo dividida na metade.

Você simplesmente pega esta mecha, separa duas partes, e ao aplicar os produtos em uma situação igual, você poderá ver o resultado de ambas após o tempo de pausa sem interferências extras. Se fizer este teste, poderá saber em menos de uma hora se as duas marcas tem tinturas com resultado final igual, ou se há alguma diferença entre elas.

Repare bem nestas diferenças, e antes de descartar um produto por não ser igual ao outro, considere em que situações ele pode ser útil. Pode ser que seja aquela que te faz falta e que não precisará de misturas para dar o tom desejado por sua cliente.

Espero que com estas dicas sua vida seja, talvez não mais simples, mas que traga resultados mais precisos. Também comento sobre isso em cursos e até em meus livros de colorimetria capilar. Entendo que quanto mais detalhes observamos, consumimos um pouco do nosso tempo no começo, mas que compensa no resultado final mais especializado.

Se gostou da matéria, ou se precisa tirar alguma dúvida, deixe seus comentários ou sugestões. Estarei preparando algo especial para esclarecer o que puder!

Rogério Belo

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