Nomenclatura na Colorimetria Capilar – Numeração

Numeração e Nomenclatura de tinturas- Rogério Belo

A numeração das tinturas/colorações, ainda te confunde?

Um dos temas que mais confundem profissionais, sejam eles os mais iniciantes a até alguns dos mais experientes em colorimetria capilar, é a nomenclatura de algumas marcas. Como profissional especialista em coloração e colorimetria, não apenas por ter passado cerca de dezesseis mil horas em uma das maiores fábricas de coloração do mundo, que produz centenas de marcas, sei que há alguns detalhes que podem servir de alerta à você que tem dúvidas neste tema.

Além disso, como cabeleireiro já há quase 25 anos, e autor de 2 livros de colorimetria capilar, vivi as mesmas dúvidas na minha experiência profissional, até que a vivência me ensinou mais sobre este e os demais temas da colorimetria capilar. Mas, devo contextualizar um pouco o processo para poder explicar melhor sobre nomenclaturas.

Como nascem algumas marcas de tinturas

Primeiramente precisamos entender como funciona, mesmo que de forma simplificada a criação de uma marca. Talvez você não saiba, mas grande parte das marcas de produtos não tem fabricação própria. Por este motivo, as marcas que não fabricam seus próprios produtos recorrem a empresas terceiristas, que possuem a expertise para isso.

Lá elas geralmente são apresentadas a várias opções, e elas não apenas podem sim criar suas próprias versões de produtos dentro de certos padrões, como podem aderir a uma formulação padrão. Sabendo disto, já somos capazes de compreender que há empresas com cores diferentes com a mesma nomenclatura, ou seja, que foram personalizadas segundo os desejos da marca.

A vantagem deste modo de trabalhar é que, tendo uma equipe de profissionais exigentes e que estão dispostos a melhorar o produto, e as cores resultantes, somos apresentados a novas opções melhores, ou ao menos diferentes. Por outro, lado cria um problema para seguirmos uma metodologia de combinação de tinturas.

As marcas que não optam por fazerem suas próprias cores, já que é um processo lento e caro, podem decidir por vários outros caminhos. O mais comum é a escolha de cores já prontas. Dentre as opções, muitas vezes há várias opções de uma cor só. Umas mais quentes, outras mais fechadas, outras com maior ou menor cobertura, e por aí vai.

A escolha geralmente é feita baseada nas cores melhores ranqueadas nas vendas, escolhendo, por exemplo, as 40 ou 50 mais bem vendidas na região em que a marca vai concentrar sua atuação. E mesmo que seja escolhida comparando a venda nacional, sua escolha é baseada pelo que vende bem. E vivi esta experiência inúmeras vezes nos anos em que trabalhei nesta indústria.

Porém, esta prática cria alguns problemas! O primeiro é o que lidaremos neste texto, e futuramente trarei novos conteúdos para você.

Na hora de nomear e numerar as colorações

O problema que surge é que, tendo estas marcas pouco critério em relação à escolha do produto, eles também costumam ter pouco com as numerações. O fato de escolherem produtos padronizados, muitas vezes por não serem especialistas no tema, os faz também escolherem as numerações baseadas no ranking das que mais vendem.

Por exemplo, até minha última verificação do ranking das cores mais vendidas, o 12.89 vendia mais que o 12.21. O caso é que estas cores eram exatamente a mesma fórmula, postas em marcas que tinham predileção por numerações diferentes. Algumas escolhiam por 12.21 porque na sua cartela o 2 é irizado e o 1 é cinza, facilitando a compreensão do que é a cor. Porém há marcas que usam o número 12.89, pois a numeração é mais conhecida, como a Wella, que a lançou e popularizou este número.

Assim, há marcas que procuram uma coerência entre suas numerações, e fazem com que todas as suas cores sejam entendidas num único padrão que escolheram, e há marcas que buscam que suas cores sejam mais facilmente identificáveis com cores “mais conhecidas” de outras marcas que são referências no mercado. E nenhuma está necessariamente certa ou errada. É tudo uma questão de estratégia comercial entre outras coisas.

Nem toda marca padroniza sua nomenclatura

Há ainda outros casos que causam estranheza. Por exemplo, há marcas que possuem na sua cartela o 6.66, que na L’oreal é vermelho intenso. Outras usam o número 6.60 para a mesma cor vermelho intenso, e usam o numero repetido para reflexos profundos.

A diferença entre profundo e intenso são as intensidades onde uma é mais luminosa/intensa, e a outra é mais fechada/profunda. Para complicar ainda mais, ainda existem marcas que, dentro da mesma cartela usam o 6.66 para vermelho intenso, ao passo que usam 4.77 para marrom profundo. Estranho não é mesmo?

Necessidade de atenção às nomenclaturas

Esta questão, que poderíamos dar ainda mais exemplos, pois trabalhando em salões diversos, distribuidoras e marcas, além da já comentada empresa fabricante, pode tirar o sono de alguns e induzir outros ao erro.

Pense em como seria comprar o nosso 6.66, acreditando ser intenso, e ao terminar o tempo de pausa descobrirmos que se tratava de um vermelho fechado. Imagine se fosse apenas um retoque de raiz em que, a cliente teria uma cor no comprimento e outra diferente do que acabou de fazer. Certamente, sou capaz de imaginar você ouvindo a reclamação da cliente, e ligando para o distribuidor reclamando do produto.

Mas calma, porque, embora possa listar uma série de cores que podem ser mal interpretadas por causa das numerações, quero te ajudar dando quatro dicas principais que vão solucionar estes e outros problemas, além de te ajudar a se especializar ainda mais em colorimetria capilar. E a dica é muito simples, beirando ao óbvio. Mas, o sucesso é uma sequência de atitudes óbvias tomadas com inteligência!

4 dicas de como evitar se confundir com nomenclaturas e cores

A primeira é: Não leia apenas a numeração! A maioria das marcas etiqueta suas tinturas com o numero e o nome da cor, e embora alguns erros possam acontecer, esta nomenclatura é mais segura do que olhar apenas a numeração.

Segundo: Examine a cartela! Um jeito simples de saber a cor que está no tubo antes de buscar o produto no estoque é olhar a cartela não apenas para a mechinha. A mecha posta ali pode ser um artifício de marketing, e ter cores chamativas baseadas em um resultado possível. Mas, pode ser que você deixe passar batido algum detalhe da descrição dela, ou de como a marca segue ou não um padrão de numeração.

Terceiro: Entenda definitivamente que, não existe numeração universal, e que não é culpa da marca, ao menos não integralmente pela nossa falta de atenção a estes detalhes. Se você for à um treinamento da marca, não deixe de questionar os técnicos dela para entender o posicionamento sobre o tema. Aproveite para tirar dúvidas adjacentes sobre como identificar as numerações desta marca comparativamente com a que já está acostumado. Isso pode facilitar muito sua decisão pela troca de uma marca por outra, caso seja o que estiver buscando.

Por último, a mais importante: É você se responsabilizar pela escolha do produto, conhecendo-o antes de aplicá-lo! Alguém pode dizer: “Mas Belo, não é seguro olhar para a numeração e a nomenclatura para saber qual o produto que estou comprando?”. Em parte sim! Mas, além das numerações e nomenclaturas, há diferenças entre cores com os mesmos nomes e numerações de uma marca para outra. Lembra-se de que disse à você que uma marca pode pedir para personalizar seu produto? Então, é possível que a pessoa que pediu ajustes tenha um modo diferente de entender o quanto uma tintura deve cobrir brancos, ser quente ou fria, ser opaca ou brilhante. Logo, confiar apenas nas descrições pode ser o motivo de que muitos reclamam que não obtém resultados iguais ao trocar de marca. Pois de fato não obterão sempre. Cada marca tem o direito de personalizar seus produtos, com base nos seus próprios critérios.

Faça testes ao invés de confiar em métodos falhos de cálculos

Por isso, sempre faça testes comparativos. E antes que ache que isto é difícil, minha dica para simplificar isto é que pegue um pouco de cada, respeitando suas medidas de uso, e aplique cada mistura em uma mecha de cabelo dividida na metade.

Você simplesmente pega esta mecha, separa duas partes, e ao aplicar os produtos em uma situação igual, você poderá ver o resultado de ambas após o tempo de pausa sem interferências extras. Se fizer este teste, poderá saber em menos de uma hora se as duas marcas tem tinturas com resultado final igual, ou se há alguma diferença entre elas.

Repare bem nestas diferenças, e antes de descartar um produto por não ser igual ao outro, considere em que situações ele pode ser útil. Pode ser que seja aquela que te faz falta e que não precisará de misturas para dar o tom desejado por sua cliente.

Espero que com estas dicas sua vida seja, talvez não mais simples, mas que traga resultados mais precisos. Também comento sobre isso em cursos e até em meus livros de colorimetria capilar. Entendo que quanto mais detalhes observamos, consumimos um pouco do nosso tempo no começo, mas que compensa no resultado final mais especializado.

Se gostou da matéria, ou se precisa tirar alguma dúvida, deixe seus comentários ou sugestões. Estarei preparando algo especial para esclarecer o que puder!

Rogério Belo

Instagran e Facebook para você curtir e seguir o autor

Colorimetria Capilar – por que as clientes não colorem cabelo no salão, e como melhorar isso

Colorimetria Capilar Blog Rogério Belo

Você sabia disso?

Colorimetria Capilar – por que as clientes não colorem cabelo no salão, e como melhorar isso

Durante minha experiência buscando melhorar a vida de profissionais, participei de muitos cursos, sem medo de investir meu tempo, e muito dinheiro muitas vezes, por que sabia que dava pra ajudar pessoas a enxergarem que não basta saber colorir cabelo.

Pesquisas apontam que poucas pessoas fazem coloração no cabelo no salão com produtos do profissional

Segundo esta pesquisa, publicada em 2016 pela Nielsen, cerca de 54% da população brasileira colore cabelos, mas apenas 7,6% faz no salão com tinturas dos cabeleireiros. A grande maioria não confia que o cabeleireiro vá fazer escolhas melhores do que elas, na compra do produto, por exemplo. Mesmo que a compra seja por orientação do cabeleireiro, em algum nível esta forma de trabalhar mostra que, poucas pessoas realmente acreditam que o cabeleireiro tem mais resultado que elas mesmas.

A impressão é que, sendo ‘apenas’ passar coloração, elas apenas precisam acertar a cor, e tudo mais é apenas para casos específicos. O trabalho do profissional acaba não sendo valorizado. Mas, será que a culpa é do cliente, ou do cabeleireiro? ‘Ah Rogério, mas é por que elas não tem dinheiro e querem economizar’! Engano seu!

A mesma pesquisa indica que, 48,5% das pessoas de poder aquisitivo mais alto, e 42% da classe média, também não fazem coloração no salão com o que nós oferecemos, dos que tingem fora de casa. Apenas 7,3% da chamada ‘classe D’ tinge os cabelos no salão com tintura do salão. Ou seja, dinheiro importa. Mas não significa que, quem tem dinheiro faz coloração no salão com produto do salão.

E porquê?

E qual a causa disso? Bem, não posso responder por todo mundo, mas apresentei esta pesquisa a algumas pessoas, dentro e fora do ambiente de salão, e a maioria, principalmente as que colorem os cabelos, em algum momento disseram algo como “se for pra fazer igual eu faço em casa, não vale a pena ir ao salão”. E elas não assistem cursos, nem lêem um Livro de Coloração Capilar.

Então, uma pergunta me ocorreu; “o que te faria usar mais o serviço do cabeleireiro colorista e confiar nas suas escolhas?”. Bem o que algumas me disseram foi bem interessante. Vou relatar algumas falas que me recordo.

  • “Eles precisam me convencer que sabem trabalhar bem”.

A cliente me disse que, uma das maiores faltas do trabalho de um profissional, seja de qual área for sobretudo de um colorista capilar, sempre é não mostrar do que é capaz, e como seu serviço pode ser benéfico para o cliente. A cliente precisa se sentir confiante de que fazer o cabelo com o colorista dela vale mais a pena e que vai ficar melhor do que ela colorindo sozinha, e que os produtos que ele vai escolher serão mais eficientes no resultado esperado, do que ter de trazê-los de outro lugar.

No meu livro de colorimetria capilar, explico que o profissional deve conhecer muito bem cabelo e de produtos de . Como ele age e reage no cabelo vai indicar como extrair o melhor dele para seu trabalho.  Independente de você ter lido ou não o Manual do Colorista Capilar, certamente irá se beneficiar de adotar algumas das ideias dele para conhecer melhor os produtos. E como eles podem ser usados, vai depender de sua habilidade, coisa que os mais novos adquirem facilmente quando bem orientados, e os mais velho já possuem experiência para se adaptar.

  • “Acho que sai mais caro fazer no salão”

Sim, muita gente pensa no preço de se fazer no salão, ou de usar a tintura do salão ao decidir como colorir. Mas aí uma delas fez a conta sozinha e percebeu algo que você pode usar como argumento a seu favor.

Ela viu que se o produto custasse R$10,00 (hipotético) e o serviço custasse R$30,00 (hipotético também), a diferença de dois terços do valor, se fossem compensados por uma aplicação rápida e eficiente, sem deixar ‘gatinhos’, que não deixasse ‘faixas’, que viessem com lavagem com produtos profissionais eficientes, e que não a lambuzassem toda como acontece em casa, já compensaria e muito.

Ou seja; para ela o valor a mais pelo serviço no salão, independente do preço da tintura utilizada, sendo um serviço bem prestado e que sua comodidade fosse perceptível, não a incomodaria em pagar. Para ela ser bem servida, e saber que está sendo bem servida é um fator de decisão importantíssimo.

Será que quando atendemos nossas clientes estamos fazendo de tudo para que ela perceba isso, ou estamos apenas fazendo? Como assim? Você vai lavar o cabelo, mas se o fizer comentando com a cliente, sem fazer propaganda da marca, que escolheu um produto excelente para remover a cloração dando maciez e brilho, e que irá finalizar com cremes que vão ajudar na resistência e durabilidade, certamente ela irá perceber o serviço de uma forma especial. Ao menos, bem diferente de quem nem se importa em fazer seu trabalho ser percebido na sua integralidade. Afinal, colorir cabelos não é apenas passar produto, como ela faria em casa. Percebe a diferença? Fazer igual ela faria, incentiva ela continuar fazendo sozinha, e não com você. É este o ponto.

  • “Ver que o profissional estuda e não apenas olha no youtube”.

Minha cliente me disse exatamente isso: “eu tingia meu cabelo em casa, porque eu não iria a um dentista que aprende no youtube, que não lê um livro, e que não vai a congressos profissionais, então é lógico que um cabeleireiro deve fazer mais do que ir uma vez ou outra num workshop de produtos”.

Sim, uma cliente disse isso! Ela era uma profissional reconhecida na área dela, e conversávamos bastante. Ela disse que não ver o esforço em estudar dentro da classe de profissionais da beleza era, na visão dela e de algumas amigas, um fato preocupante. Na época não havia nenhum livro de colorimetria capilar especifico como o Manual do Colorista Capilar, foi antes de 2007. Mas, ela disse que sempre procurava os melhores livros da sua profissão, e outros que lhe ajudasse a ser uma profissional melhor, e me elogiava por eu sempre ter um livro em mãos todas as vezes que ela ia ao salão.

Para algumas pessoas, o fato de você estudar ou não, nunca será tema de conversas se você não fizer questão. Mas, experimente falar de coisas que anda estudando, e que sejam relacionadas com sua prestação de serviço para ela! Você irá perceber que muitos vão apreciar seu interesse em se autodesenvolver pessoal e profissionalmente. Muitos dos meus leitores usam meu livro para chamar a atenção da cliente, deixando-o na bancada, bem à mostra.

Quando for dizer que está estudando, esteja mesmo, pois falar sobre pontos específicos, e usar para iniciar uma conversa sinceramente interessada nos pontos de vista de seus clientes, não apenas os fará perceber seu interesse em evoluir, como proporciona mais afinidade com eles. Um dos grandes segredos que descobri logo cedo nesta área é justamente ganhar a confiança do cliente conversando com ele.

Conversar com o cliente, deixá-lo a par de seu crescimento, mostrar interesse genuíno e sincero por suas necessidade e, o mais importante, mostrar seu bom serviço de forma perceptível, são verdadeiras armas na conquista de seus clientes.

Lembre-se, seus clientes vão confiar apenas no que eles sabem que podem confiar!

Gostou? Deixe seu comentário e compartilhe nas suas redes sociais copiando e colando o endereço deste artigo.

 Até a próxima. Não esqueça de visitar minha página no YouTube